Plebe Rude mantém a classe, critica e aposta na reflexão em novo álbum

Plebe Rude mantém a classe, critica e aposta na reflexão em novo álbum

Marcelo Moreira

Plebe-Rude

O inconformismo está mantido, assim como a vontade de incomodar. A Plebe Rude se beneficiou involuntariamente dos protestos de junho de 2013, quando suas músicas dos anos 80 serviram de trilha em manifestações pelo País. Afiada e mordaz, fez vários shows desde então e lançou no finalzinho de 2014 o álbum “ Nação daltônica”, pelo selo Substancial.

Philippe Seabra continua como o motor criativo da banda, com o precioso auxílio do guitarrista e vocalista Clemente Nascimento, que também é o líder dos Inocentes. Dono de um estúdio bem equipado  e requisitado, divide-se entre a banda, a produção de álbuns de outros artistas e a composição de trilhas sonoras. No entanto, é soltando a voz com a Plebe Rude que mantém a verve criativa.

Alguns ouvintes menos atentos podem apontar que o grupo envereda pelo cinismo em algumas letras, esbarrando na rabugice e no sarcasmo. “As mazelas são as de sempre, mas o comportamento das pessoas parece ser incompatível com o momento que vivemos desde os anos 80 e que estamos vivendo. Será que vamos repetir a mesma crônica?”

Questionar e criticar sim, mas a sabedoria dos mais de 30 anos de carreira acrescenta novos ingredientes no som mais encorpado. Referência de postura combativa dentro do que se convencionou chamar de pop rock, a Plebe Rude lança alguns convites à reflexão, em especial a respeito do consumo de cultura fossilizada e repetitiva.

Seabra acredita que integridade é uma parte crucial para explicar o respeito que a banda conquistou em três décadas e fez o possível para explicitar isso no trabalho mais recente. “É só entretenimento, mas existem posturas que ajudam a explicar opções artísticas. Hoje a polêmica nas redes sociais têm mais apelo do que a música em si, cada vez mais repetitiva e sem ousadia. Eu sempre prezei a coerência, sempre a persegui e acredito no seu valor.  sempre foi a nossa maior meta. Eu me orgulho de fazer um trabalho honesto e de fazer o que sempre  acreditei.”

As dez faixas trazem um som mais moderno, que valoriza as harmonias e passagens mais elaboradas, além do peso em algumas músicas. ainda há ecos pós-punks, e algumas letras trazem a urgência que sempre foi uma característica da Plebe Rude. As duas guitarras dialogam bastante, e Clemente acrescenta uma ferocidade crua em “Anos de Luta”, por exemplo, que conta com o melhor trecho de letra – “Das decisões que tomam por você/ E as opções que te deixam eleger/ Seu horizonte se esbarra na TV?”

Entretanto, um dos grandes destaques é “Sua História”, que tem a participação da Orquestra Filarmônica de Praga. Aqui há resquícios de uma certa ingenuidade na letra, ainda que emita um tom de esperança. Seabra sempre diz que a ingenuidade é uma virtude, mas consegue equilibrar com sucesso a inteligência e o bom gosto.

“A receptividade que estamos experimentando neste século é muito animadora, a cada show, vemos mais jovens na plateia. É uma geração bem informada, com critério, que não se perdeu vendo clipes de artistas nacionais e internacionais com mais senso de estética do que conteúdo. São jovens tão inquietos quanto éramos em Brasília”, diz o líder da banda.

A Plebe Rude tem um projeto de produzir um álbum com bandas que se dizem influenciadas pelo grupo – ou seja, patrocinar o próprio tributo, tocando as principais canções dos 34 anos de carreira. Para o ano que vem, seguindo a inspiração da “Sua História”, a intenção é gravar um DVD ao vivo com a Sinfônica de Brasília.

Fonte: Blog Combate Rock

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