Amantes de Picasso em quadros expostos no CCBB de São Paulo

Amantes de Picasso em quadros expostos no CCBB de São Paulo

Luna D’Alama

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É difícil saber se o pintor espanhol Pablo Picasso (1881-1973) fez mais sucesso com seus quadros ou com as mulheres. Dono de uma personalidade forte, criativa e cheia de energia, o artista exercia um fascínio sobre suas modelos, que na maioria das vezes se tornavam suas amantes – e vice-versa.

Não é possível contabilizar ao certo também com quantas mulheres o pintor espanhol se relacionou, mas sete delas tiveram um papel importante na vida e na obra do mestre cubista.

 São elas, pela ordem: a artista e modelo francesa Fernande Olivier (1881-1966); a francesa Marcelle Humbert (1885-1915), conhecida como Eva Gouel; a bailarina russa Olga Khokhlova (1891-1955), com quem Picasso se casou oficialmente pela primeira vez; a francesa Marie-Thérèse Walter (1909-1977); a fotógrafa, poetisa e pintora francesa Henriette Theodora Markovitch (1907-1997), cujo apelido era Dora Maar; a artista e escritora francesa Françoise Gilot (1921-); e a francesa Jacqueline Roque, sua segunda e última mulher de papel passado. Picasso teve tantas mulheres francesas porque passou a maior parte da vida no país vizinho ao seu.

“Ele cultuava a figura feminina e o desejo. Essa era uma de suas obsessões, presente em muitas das obras que produziu”, explica o professor de História da Arte da Universidade de Málaga, na Espanha, Eugenio Carmona, que também faz a curadoria da megaexposição “Picasso e a Modernidade Espanhola”, em cartaz no CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil) de São Paulo até 8 de junho.

Pelo menos três das amantes do artista estão retratadas em quadros exibidos no quarto andar do prédio: o óleo sobre tela “Cabeça de Mulher (Fernande)” (1910), o óleo sobre tela “Mulher Sentada Apoiada sobre os Cotovelos” (1939), que representa Marie-Thérèse Walter, e o óleo sobre madeira “Retrato de Dora Maar” (1939). Esta última, inclusive, é figura recorrente em vários trabalhos do pintor, como o famoso “Dora Maar com Gato” (1941).

“Picasso pintava figuras femininas de formas orgânicas com caráter geométrico. Seus olhos, narizes e formas têm valores psicológicos e comunicativos. E, por trás, também há a melancolia da beleza clássica”, diz Carmona.

No caso de “Cabeça de Mulher (Fernande)”, ao retratar uma mulher e ao mesmo tempo fazer uma obra abstrata, o mestre espanhol reconciliou a pintura figurativa com a abstrata, algo impensável até então, destaca o curador. “Nesse quadro, Picasso usou poucas cores, formas geométricas, profundidade e perspectiva. Mas temos a sensação de que ele utilizou muito todos esses elementos”, afirma.

Além disso, um dos grandes temas do pintor foi a representação do trabalho do artista diante da figura feminina, o que pode ser visto em dois quadros expostos no CCBB, ambos intitulados “O Pintor e A Modelo” (1963). Seu apego ao sexo oposto era tão grande que, segundo muitos críticos, as fases de Picasso poderiam ser divididas pelos nomes de suas mulheres – “era Fernande”, “fase Marie-Thérèse”, “período Dora Maar” e assim por diante.

Para os visitantes que ficarem muitas horas na fila, uma artista vestida a caráter vai incorporar a francesa Marie-Thérèse Walter para contar a história dessa e de outras musas do artista. Além dela, há um toureiro, uma dançarina de flamenco e o “pai” de Picasso para entreter o público antes da exposição. Essas ações – que ainda incluem música, teatro, oficinas, jogos e contações de histórias com bonecos – são realizadas das 11h às 18h durante a semana e das 10h às 17h aos sábados e domingos.

“Picasso e a Modernidade Espanhola”

De 25 de março a 8 de junho. De quarta a segunda, das 9h às 21h
CCBB-SP (Rua Álvares Penteado, 112 – Centro)
Grátis
Mais informações: No site culturabancodobrasil.com.br ou pelo telefone (11) 3113-3651

Fonte: Guia Uol São Paulo

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