Category Archives: Educação

Conteúdo diverso voltado para a Educação,escolas, professores, estudantes, gestores escolares, pedagogia, componentes curriculares, ideologia, alfabetização, analfabetismo e outros derivados.

ANTES DO PRATO, O FILME – GREENPEACE

ANTES DO PRATO, O FILME – GREENPEACE

O documentário percorre três regiões do Brasil e mostra uma mobilização social potente e diversa para combater a fome, gerar saúde e garantir um meio ambiente em equilíbrio para toda a população. Diante de um país em crise, o filme retrata como a agricultura familiar agroecológica vem criando pontes entre as cidades e o campo para propor uma revolução no atual modelo de produção e consumo de alimentos. Uma revolução em rede, conectada, solidária. E que já está em andamento.

EMÍLIA FERREIRO (*1936 +2023)

EMÍLIA FERREIRO (*1936 +2023)

Emilia Ferreiro, a estudiosa que revolucionou a alfabetização

MÁRCIO FERRARI

A psicolinguista argentina desvendou os mecanismos pelos quais as crianças aprendem a ler e escrever, o que levou educadores a reverem radicalmente seus métodos

Nenhum nome teve mais influência sobre a educação brasileira nos últimos 30 anos do que o da psicolinguista argentina Emilia Ferreiro, que morreu no dia 26 de agosto de 2023, aos 86 anos.

“Emilia partiu, deixando um legado inestimável na forma como compreendemos o processo de aprendizagem da leitura e escrita. Suas pesquisas permitiram transformar práticas educativas ao redor do mundo e impactaram a vida de inúmeros educadores e alunos. Emília Ferreiro é e seguirá sendo uma referência inquestionável para a área da alfabetização”, publicou em nota a Rede Latino-americana de Alfabetização por conta da morte da estudiosa.

A divulgação dos livros de Emilia no Brasil, a partir de meados dos anos 1980, causou um grande impacto sobre a concepção que se tinha do processo de alfabetização, influenciando as próprias normas do governo para a área, expressas nos Parâmetros Curriculares Nacionais.

As obras de Emilia – Psicogênese da Língua Escrita é a mais importante – não apresentam nenhum método pedagógico, mas revelam os processos de aprendizado das crianças, levando a conclusões que puseram em questão os métodos tradicionais de ensino da leitura e da escrita. “A história da alfabetização pode ser dividida em antes e depois de Emilia Ferreiro”, diz a educadora Telma Weisz, que foi aluna da psicolinguista.

Emilia Ferreiro se tornou uma espécie de referência para o ensino brasileiro e seu nome passou a ser ligado ao construtivismo, campo de estudo inaugurado pelas descobertas a que chegou o biólogo suíço Jean Piaget (1896-1980) na investigação dos processos de aquisição e elaboração de conhecimento pela criança – ou seja, de que modo ela aprende.

As pesquisas de Emilia Ferreiro, que estudou e trabalhou com Piaget, concentram o foco nos mecanismos cognitivos relacionados à leitura e à escrita. De maneira equivocada, muitos consideram o construtivismo um método.

Tanto as descobertas de Piaget como as de Emilia levam à conclusão de que as crianças têm um papel ativo no aprendizado. Elas constroem o próprio conhecimento – daí a palavra construtivismo. A principal implicação dessa conclusão para a prática escolar é transferir o foco da escola – e da alfabetização em particular – do conteúdo ensinado para o sujeito que aprende, ou seja, o aluno.

“Até então, os educadores só se preocupavam com a aprendizagem quando a criança parecia não aprender”, diz Telma Weisz. “Emilia Ferreiro inverteu essa ótica com resultados surpreendentes.” 

O princípio de que o processo de conhecimento por parte da criança deve ser gradual corresponde aos mecanismos deduzidos por Piaget, segundo os quais cada salto cognitivo depende de uma assimilação e de uma reacomodação dos esquemas internos, que necessariamente levam tempo. É por utilizar esses esquemas internos, e não simplesmente repetir o que ouvem, que as crianças interpretam o ensino recebido.

No caso da alfabetização isso implica uma transformação da escrita convencional dos adultos (leia mais sobre as hipóteses elaboradas pelas crianças na tentativa de explicar o funcionamento da escrita). Para o construtivismo, nada mais revelador do funcionamento da mente de um aluno do que seus supostos erros, porque evidenciam como ele “releu” o conteúdo aprendido. O que as crianças aprendem não coincide com aquilo que lhes foi ensinado.

Compreensão do conteúdo

Com base nesses pressupostos, Emilia Ferreiro critica a alfabetização tradicional, porque julga a prontidão das crianças para o aprendizado da leitura e da escrita por meio de avaliações de percepção (capacidade de discriminar sons e sinais, por exemplo) e de motricidade (coordenação, orientação espacial etc.).

Dessa forma, dá-se peso excessivo para um aspecto exterior da escrita (saber desenhar as letras) e deixa-se de lado suas características conceituais, ou seja, a compreensão da natureza da escrita e sua organização. Para os construtivistas, o aprendizado da alfabetização não ocorre desligado do conteúdo da escrita.

É por não levar em conta o ponto mais importante da alfabetização que os métodos tradicionais insistem em introduzir os alunos à leitura com palavras aparentemente simples e sonoras (como babá, bebê, papa), mas que, do ponto de vista da assimilação das crianças, simplesmente não se ligam a nada.

Segundo o mesmo raciocínio equivocado, o contato da criança com a organização da escrita é adiado para quando ela já for capaz de ler as palavras isoladas, embora as relações que ela estabelece com os textos inteiros sejam enriquecedoras desde o início.

Para Emilia Ferreiro, a alfabetização também é uma forma de se apropriar das funções sociais da escrita. De acordo com suas conclusões, desempenhos díspares apresentados por crianças de classes sociais diferentes na alfabetização não revelam capacidades desiguais, mas o acesso maior ou menor a textos lidos e escritos desde os primeiros anos de vida.

Sala de aula vira ambiente alfabetizador

Uma das principais consequências da absorção da obra de Emilia Ferreiro na alfabetização é a recusa ao uso das cartilhas, uma espécie de bandeira que a psicolinguista argentina ergue. Segundo ela, a compreensão da função social da escrita deve ser estimulada com o uso de textos de atualidade, livros, histórias, jornais, revistas.

Para a psicolinguista, as cartilhas, ao contrário, oferecem um universo artificial e desinteressante. Em compensação, numa proposta construtivista de ensino, a sala de aula se transforma totalmente, criando-se o que se chama de ambiente alfabetizador.

Ideias que o Brasil adotou

As pesquisas de Emilia Ferreiro e o termo construtivismo começaram a ser divulgados no Brasil no início da década de 1980. As informações chegaram primeiro ao ambiente de congressos e simpósios de educadores. O livro-chave de Emilia, Psicogênese da Língua Escrita, saiu em edição brasileira em 1984.

As descobertas que ele apresenta tornaram-se assunto obrigatório nos meios pedagógicos e se espalharam pelo Brasil com rapidez, a ponto de a própria autora manifestar sua preocupação quanto à forma como o construtivismo estava sendo encarado e transposto para a sala de aula. Mas o construtivismo mostrou sua influência duradoura ao ser adotado pelas políticas oficiais de vários estados brasileiros. Uma das experiências mais abrangentes se deu no Rio Grande do Sul, onde a Secretaria Estadual de Educação criou um Laboratório de Alfabetização inspirado nas descobertas de Emilia Ferreiro.

Hoje o construtivismo é a fonte da qual derivam várias das diretrizes oficiais do Ministério da Educação. Segundo afirma a educadora Telma Weisz na apresentação de uma das reedições de Psicogênese da Língua Escrita, “a mudança da compreensão do processo pelo qual se aprende a ler e a escrever afetou todo o ensino da língua”, produzindo “experimentação pedagógica suficiente para construir, a partir dela, uma didática”.

Biografia

Emilia Ferreiro nasceu na Argentina em 1936. Doutorou-se na Universidade de Genebra, sob orientação do biólogo Jean Piaget, cujo trabalho de epistemologia genética (uma teoria do conhecimento centrada no desenvolvimento natural da criança) ela continuou, estudando um campo que o mestre não havia explorado: a escrita.

A partir de 1974, Emilia desenvolveu na Universidade de Buenos Aires uma série de experimentos com crianças que deu origem às conclusões apresentadas em Psicogênese da Língua Escrita, assinado em parceria com a pedagoga espanhola Ana Teberosky e publicado em 1979. Emilia é hoje professora titular do Centro de Investigação e Estudos Avançados do Instituto Politécnico Nacional, da Cidade do México, onde mora.

Além da atividade de professora – que exerce também viajando pelo mundo, incluindo frequentes visitas ao Brasil -, a psicolinguista está à frente do site www.chicosyescritores.org, em que estudantes escrevem em parceria com autores consagrados e publicam os próprios textos.

Quer saber mais?

Construtivismo, Maria da Graça Azenha, 128 págs., Ed. Ática, tel. 0800-115-152.
Cultura Escrita e Educação, Emilia Ferreiro, 179 págs., Ed. Artmed.
Psicogênese da Língua Escrita, Emilia Ferreiro e Ana Teberosky, 300 págs., Ed. Artmed.

Texto originalmente publicado em 01/10/2008 e atualizado em 28/08/2023 para acréscimo de informações sobre a morte de Emilia Ferreiro

Fonte: NOVA ESCOLA

HOMENS CIVILIZADOS PRA QUÊ?

HOMENS CIVILIZADOS PRA QUÊ?

QUANDO OS PORTUGUESES CHEGARAM, AQUI HAVIA MUITA FLORESTA, MUITA ÁGUA LIMPA, MUITOS ANIMAIS SILVESTRES E TAMBÉM HAVIA MUITOS INDÍGENAS. ERAM MUITOS ANIMAIS SILVESTRES E MUITOS INDÍGENAS. ERAM DIVERSOS POVOS INDÍGENAS.

HAVIA UM DILEMA: AS COISAS PERMANECERIAM OU SERIAM MODIFICADAS. PREFERIRAM MODIFICAR.

ERAM MUITOS POVOS INDÍGENAS, MAS NÃO ERAM TODOS IGUAIS. TINHAM SUAS SEMELHANÇAS E SUAS DIFERENÇAS. ERAM TODOS LIVRES, ENTRETANTO OS PORTUGUESES TENTARAM ESCRAVIZÁ-LOS. ELES RESISTIRAM, CONTUDO FORAM PERSEGUIDOS.

OS ANIMAIS SILVESTRES ERAM MUITOS. HAVIA ONÇAS, CAPIVARAS, JACARÉS, TAMANDUÁS E OUTROS. FORAM CAÇADOS E MORTOS, PORTANTO SEUS NÚMEROS FORAM DIMINUINDO. HAVIA MACACOS E PÁSSAROS. DIVERSOS PÁSSAROS LINDOS, POR ISSO O LOCAL ERA BEM POVOADO DE ANIMAIS SILVESTRES. HOJE ALGUNS ESTÃO PRÓXIMOS DE SEREM EXTINTOS. ENTÃO PRECISAMOS CUIDAR PARA QUE AINDA SOBREVIVAM.

OS HOMENS CIVILIZADOS ASSASSINARAM ANIMAIS, FLORESTAS, RIOS E SERES HUMANOS. CAÇARAM, DESMATARAM, POLUÍRAM E MATARAM. COMEÇARAM EM 1500. ELES CONTINUAM A PRATICAR CRIMES. UNS DESTROEM. OUTROS PROTEGEM. E VOCÊ DE QUE LADO ESTÁ?

O CÉU ERA LIMPÍSSIMO, LOGO DAVA PARA VER TUDO, ATÉ AS MILHARES DE ESTRELAS DURANTE AS NOITES. VIAM-SE AS ESTRELAS OU DORMIA-SE NA PAZ.

NÃO PISA NA FULÔ

NÃO PISA NA FULÔ

ESTAVA PRA VER ALGUÉM MAIS BELA E GRACIOSA. MARIA ERA UM ANJO. TUDO NELA TINHA GENTILEZA E BONDADE. PARECIA QUE NUNCA HOUVE NO MUNDO GUERRAS.

“A MÁGOA É UMA NUVEM DENSA E SOMBRIA.

A RAIVA É UM ESTRONDO DE TROVÕES AMEAÇADORES.

A ANGÚSTIA É UMA CHUVA CONSTANTE FRIA E DESOLADORA.

O AMOR SAI TODA MANHÃ COM SUÉTER E GUARDA-CHUVA.”

MARIA GOSTA DE LER JORGE AMADO. ELA GOSTA DE MACARRÃO COM ALMÔNDEGAS. SEMPRE COME DOIS PRATOS. SUAS MÃOS SUAVES TOCAM GRANDES MÚSICAS NO VIOLÃO. SEU SUOR PRODUZ BELAS FRUTAS.

SEU CORAÇÃO ERA PURA TRANQUILIDADE. SEU OLHAR CALOROSO ABRAÇAVA OS MAIS CARENTES. ELA VIVIA UMA VIDA SIMPLES. SUAS MÃOS VIAM OS LUGARES CERTOS PARA OCUPAR. SUA VOZ AQUECIAM OS MAIS FRIOS CORAÇÕES.

ELA ENCANTAVA CALÇADAS, RUAS, VILAREJOS, CIDADES INTEIRAS. ENCANTAVA PAÍSES, PLANETAS, UNIVERSOS. SUA GRAÇA, SUA PAZ OCUPAVA CALÇADAS, QUINTAIS, SALAS, QUARTOS, JARDINS, CASAS. ELA DORMIA EM SUAVES NUVENS.

MARIA NÃO TINHA DURAS PALAVRAS. DEIXAVA QUE OUTRAS AS USASSEM. ELA NÃO ERA GLÚTEN. NÃO ERA FACA. OUTROS ERAM.

PORÉM, SE TENTASSEM ENGANAR, MENTIR, MALTRATAR E FERIR SEU CORAÇÃO, MARIA VIRAVA ONÇA, DESCIA DO SALTO, PISAVA NOS MALFEITORES.

NOITE FRIA – HUMOR QUENTE

NOITE FRIA – HUMOR QUENTE

AS PALAVRAS SALTAVAM ENORMES DE SUA BOCA. NINGUÉM ENTENDIA BEM O QUE ELAS SIGNIFICAVAM. O SOM SUBIU OS DEGRAUS ATÉ CHEGAR NO QUARTO ONDE EU DESCANSAVA. DEITADA NA CAMA A XÍCARA QUASE CAIU.

MILHÕES DE VOZES VOAVAM NO AR. AGORA É TARDE. FAZ TEMPO QUE O SOL SE PÔS. MINHA CABEÇA PESA TONELADAS QUERIA QUE TUDO ISSO ESTIVESSE APENAS PASSANDO NA TEVÊ. SUA VOZ EXPLODIU NOS MEUS OUVIDOS. JÁ ESCUTEI TUDO QUE VOCÊ QUERIA DIZER. CONSIGO FICAR COM VOCÊ POR SÉCULOS, MAS VOCÊ PRECISA PARAR DE SE DESCONTROLAR.

A CHALEIRA SOBE AS ESCADAS. O FRIO MATA. O CALOR VAI NOS SALVAR. ACHO QUE TEM BISCOITO DE MORANGO NA PRATELEIRA. ESTAMOS SALVOS. A FOME VAI EMBORA. POSSO DORMIR TRANQUILAMENTE.

VOCÊ PARECE CALMA AGORA. TALVEZ TENHA BONS SONHOS. ACHO QUE ESTOU POUCO CONFUSO. TODA ESTA MOVIMENTAÇÃO, BARULHO E O VENTO DEIXARAM-ME LIGEIRAMENTE ATORDOADO. AINDA BEM QUE NÃO PASSEI DESTA PARA MELHOR.

A NOITE ESTA QUENTE. SEU HUMOR FRIO. SÃO QUASE ONZE DA NOITE. ALTAS HORAS. BAIXAS TEMPERATURAS. SE TODAS AS NOITES FOREM ASSIM, TEREMOS DIAS LONGOS. A MINHA PACIÊNCIA AINDA SOBREVIVE. SUA IMPACIÊNCIA VOA PELO AR.

VOCÊ ME PARECEU TÃO CALMINHA. TIVE MEDO QUE VOCÊ ME CONVIDASSE PARA UM BAILE DE FORMATURA. QUASE NÃO PERCEBI QUE VOCÊ TINHA ENTRADO. EU ESTAVA COM MUITO SONO. FOI A MELHOR NOITE DE SONO QUE TIVE.