Manipulação no escudo do Red Bull lembra propaganda de regimes autoritários

Manipulação no escudo do Red Bull lembra propaganda de regimes autoritários

Maurício Stycer

redbullbrasil

Considerado essencial ao esforço de modernização dos esportes no Brasil, o investimento e o patrocínio de empresas em equipes esbarra, já há mais de 20 anos, em um obstáculo aparentemente intransponível. Na visão de alguns veículos de comunicação, a exposição de marcas associadas a nomes de times ou estádios é entendida como publicidade disfarçada.

O problema é bem complexo e envolve diferentes interesses e pressões. O que uma emissora de televisão, que pagou (e caro) pelos direitos de transmissão de um evento esportivo ganha ao citar, sem remuneração alguma, o nome de uma equipe esportiva que é também uma marca?

A Globo, por seus investimentos no setor, é obrigada a lidar com este problema mais do que ninguém. Nas transmissões de vôlei do SporTV, por exemplo, já virou regra trocar o nome das equipes, atreladas a patrocinadores, pelos nomes das cidades onde estão baseadas.

Os nomes dos novos estádios de futebol (ou “arenas”) também têm sido alterados por diferentes veículos de comunicação no esforço de não mencionar as marcas que pagaram milhões de reais para batizá-los por longos períodos.

Foi o que ocorreu, mais uma vez, neste domingo (25), na transmissão de Palmeiras e Red Bull Brasil no Allianz Parque. A equipe virou RB Brasil e o estádio, como já havia acontecido antes, foi chamado de Arena do Palmeiras.

Mais feio, porque mais visível, foi a manipulação de imagens, efetuada no escudo da equipe. O SporTV simplesmente eliminou o nome que aparece no distintivo oficial do Red Bull Brasil.

(…)

Vale lembrar que a Globo não está sozinha nesta apelação. Só para lembrar um caso famoso, em 2000 o “Lance!” apagava das imagens de sua capa a marca Pepsi-Cola estampada na camisa do Corinthians.

Este tipo de manipulação sempre pega mal. Antes da Copa de 94, nos Estados Unidos, a Globo foi ridicularizada ao transmitir um amistoso da seleção sem mostrar as placas colocadas nas laterais do campo – elas mostravam uma marca de cerveja que patrocinava a CBF, mas a emissora era apoiada por uma marca rival. Sempre que a bola chegava perto da lateral, a câmera enquadrava os jogadores da cintura para cima.

 

Fonte: Uol Esporte

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.