Pesquisa informal mostra do que vivem escritores no Brasil

Escritor1Apesar disso, a multiplicação de eventos literários – a participação num debate paga em média R$ 2.000 – e alternativas de escrita abertas na internet, pela TV e pelo cinema têm possibilitado a autores “estabelecidos” viver da escrita, embora não de venda de livros.

“Nunca houve tanto interesse em autores, mais do que em livros”,dia Andrea Del Fuego,39,autora de “os Malaquias”,que em 2014 teve como principal fonte de renda as oficinas literárias.

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Numa pesquisa informal com 50 autores de diversos perfis e estágios na carreira, obtive dados sintomáticos das formas de sobrevivência de escritores no Brasil. Os autores responderam a questões como “qual sua maior fonte de renda” e ” o quanto a venda de livros representa da sua renda” – muitos sob a condição de que seus dados individuais não fossem divulgados.

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Vendas

Só quatro dos 50 escritores, três deles no campo da literatura juvenil de entretenimento, apontaram a venda de livros como principal componente de sua renda.

Tammy Luciano é uma autora desse perfil, que levanta a bandeira da literatura comercial; seu romance ” Claro que Te Amo”” vendeu 10 mil cópias em 45 dias. ” O jovem consome muito. O livro para esse público pode ser vendido em larga escala”,diz.

No geral, as principais fontes de renda decorrem de atividades relacionadas à escrita, como dar aulas ou palestras, realizar oficinas literárias, traduzir livros, trabalhar com jornalismo e criar roteiros de cinema e televisão.

O gaúcho Paulo Scott, 48, lança em abril, pela Foz, seu próximo romance, ” O Ano que Vivi de Literatura”, no qual aborda essa realidade.

“É uma abordagem ficcional que acabou envolvendo o quadro ‘escrever um livro’ que, caso repercuta, levará o autor a ser convidado a eventos literários, indicado a premiações, adaptado para o cinema e o teatro”, discorre.

Apenas 11 dos 50 entrevistados disseram ter profissão em relação com atividade artística e, desses, dez apontaram essa outra ocupação como principal fonte de renda.

“Não ter de cumprir expediente faz diferença para quem precisa de tempo, ou ao menos administrar o tempo com mais liberdade”, diz Michel Laub, 41, que teve como maior fonte de renda em 2014 as vendas de direitos de seus livros para o exterior.

Outros Tempos

O escritor que cumpre expediente como funcionário público – ocupação, em outros tempos, de nomes como Machado de Assis e Lima Barreto – já não parece comum. Apenas três dos consultados fazem ou fizeram parte deste grupo. É o caso de Marcos Peres, 30, autor de “O Evangelho Segundo Hitler” e técnico judiciário do Tribunal de Justiça do Paraná. ” É burocrático, nada glamoroso, mas necessário”, diz.

Dos autores pesquisados, a maioria considera a situação do escritor brasileiro melhor do que há 20 anos.

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Escritor3Fonte:  Ilustrada/Folha de São Paulo

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