Pitty – Entrevistada de Marília Gabriela

Pitty – Entrevistada de Marília Gabriela

 

Autobiografia não Autorizada
E aí que a gente ia tocar em Vitória, e no voo de ida comecei a ler a autobiografia de Ozzy,
 
intitulada “Eu Sou Ozzy” e com ele lá na capa com aquela cara de I WANT YOU. Me teve
 
mesmo.Devorei quase a metade do livro nesse trecho e mais uma talagada no pouco tempo
 
de quarto de hotel entre uma moqueca capixaba e o show. Divertidíssimo e numa
 
linguagem fácil, parece que a gente escuta a voz de Ozzy na orelha narrando aquelas
 
histórias.
E isso me fez voltar a pensar numa coisa que volta e meia eu penso. Que eu tenho que
escrever minhas histórias e as coisas que ainda lembro. Penso nisso por dois motivos: um é
que é uma mega terapia botar no papel as coisas que a gente vive e depois “ler” de fora. O
outro, e o principal deles, é que eu tenho certeza absoluta que em algum momento eu posso
ficar esclerosada e esquecer tudo. Já esqueço, na real. Ando meio lerdinha. E tenho essa
nítida sensação de que quanto mais velha, pior eu vou ficar. Por isso escrever, pra me
lembrar.
Já tinha feito isso antes, escrever umas coisas que lembrei. Mas aí o tempo passou e eu- pois
 
é- esqueci de dar continuidade. Vou retomar. Vou devagarzinho botando as coisas no papel
 
à medida em que me recordar delas, e vou guardando. Depois um dia enfio tudo num cofre
 
fechado e ultra-secreto pra ser aberto quando eu morrer, ou ficar bem velha caquética. É
 
que tem coisas que, se ditas, têm o efeito de uma bomba devastadora. E os personagens
 
coadjuvantes de certos episódios podem não gostar nadinha de ver sua vida desvendada
 
por tabela. Só tem duas coisas que nos redimem das merdas que a gente faz na vida: a
 
morte ou a velhice.
 
Não tem nada ainda, mas penso num prólogo apropriado. Algo do tipo:
 
“Não existem fatos, só versões; e essas são as minhas. Se estava lá e acha que não foi bem
 
assim, problema seu. Escreva seu próprio livro. Obrigada.”
 
Talvez eu esteja mais bem- humorada no dia de escrever o tal prólogo também.
Aí um dia abrem esse cofre e pronto, podem lançar a minha Autobiografia Não Autorizada.
Já vou ter ido pro saco mesmo, que se fueda.
O show foi lindo, encontrei vários amigos, invadimos o terraço do hotel, praticamente
 
distendi a virilha numa queda-de-braço da madrugada e vimos o sol nascer. No voo de volta
 
e de virote, QUASE dei cabo da autobiografia do véio lindo. Falta pouco.”
 
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Fonte: Site Oficial de Pitty e Youtube

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